Saturday, January 28, 2006

Poema de Marcelo Beso

Tu Vais
Para Sérgio Vaz


Trapezista da rima
se equilibra na linha
tênue da vida no morro
gritando “Pega!” ouvindo “socorro!”
tirando sangue do leite sem jorro

Sambista da viela
guarda a alma da favela
onde plantaram só o pó
ouvindo “me pega...” segurando o nó
suspendendo a vida acima do silêncio

Tantos caminhos desconhecidos
na tinta de rasos sorrisos
a noite colheu
tira pássaro já do ninho
esconde a vitória dos olhos famintos
do inimigo
e com tua voz
matas a guerra no peito da paz
e corres
com teu verbo forte
vais
Sérgio, vais!


Beso

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